O transporte metropolitano e BH
Por Ângelo
O exemplo de Londres é muito bom. Estive lá ano passado a trabalho, pelo CNPq, e foi uma experiência muito interessante. São cerca de 270 estações de metrô e cerca de 400 Km de linhas de metrô. Isso sem contar os trens, transporte fluvial, bondes e ônibus. Mas a cidade não anda, há um excesso de automóveis.
Mas não é só esse exemplo. Imagine uma autobahn na Alemanha, a ligação de subúrbios de classe média com Stuttgart. São seis pistas, todas completamente congestionadas nos horários de pico. Seis pistas congestionadas? Calma, pode piorar. Na Califórnia, na ligação de subúrbios com Los Angeles há estradas com dez, isso mesmo, 10 pistas de rolamento que ficam congestionadas no horário de pico. E posso dizer isso porque dirigi tanto na autobahn alemã quanto na high way californiana. Vi congestionamentos imensos com meus próprios olhos. E esses congestionamentos não acontecem por acidentes, mas por puro excesso de automóveis.
O problema do transporte e do trânsito exige solução sistêmica, integrada. Em qualquer grande cidade do mundo o trânsito chegou à exaustão pelo excesso de automóveis. E o transporte público precisa ser visto como prioridade. Há uma distância enorme entre transporte público como concebido no Brasil e o verdadeiro transporte de massa. O problema é muito complexo, mas há algumas dicas para sua solução. Primeiro tem que ser multimodal: metrô, bonde, trem, ônibus e monotrilho compõem um sistema de transporte, cada veículo operando onde é mais eficiente.
Segundo, tem que desestimular o uso de automóvel, mas não com medidas como pedágio e rodízio. O certo é ofertar um transporte público de massa de qualidade tão alta, mas tão alta, que o indivíduo deixa o carro dele em casa pela simples análise de relação custo-benefício. Mas, para isso, vem a terceira questão, a infra-estrutura que possibilite que o transporte público seja mais vantajoso que o individual. No programa da Jô Moraes aqui em Belo Horizonte nas eleições do ano passado, foi incluído o projeto de construir estações de metrô com estacionamentos integrados. Ou seja, o indivíduo sai da casa dele no subúrbio, trafega cinco ou dez minutos com seu automóvel, deixa o carro no estacionamento integrado ao metrô e depois circula o dia inteiro no sistema de transporte público.
E por aí vai, o assunto é por demais complexo, não se pode esgotar numa discussão num blog, são vários outros aspectos que tem que ser levados em conta. Mas a conversa é boa e rende muito.
Quando digo que Belo Horizonte é a cidade das oportunidades perdidas me refiro, por exemplo, à duplicação da Av. Antônio Carlos. Colocaram uma pista de concreto para tráfego exclusivo dos ônibus que tem uns 30 cm de espessura. Se um dia quisermos colocar trilhos para bondes, ou Veículos Leve sobre Trilhos (VLT), na extensão da Av. Antônio Carlos, teremos de quebrar um concreto que tem potencial para durar vinte anos. Não há planejamento estratégico, visão de futuro, de alternativas.
Essa duplicação da Antônio Carlos é exemplo cabal, não só por desprezar outras formas de transporte, mas porque ela por si é um obstáculo à ampliação do metrô. Se você consultar o projeto original do metrô de BH verá que a linha Pampulha-Savassi, subterrânea por debaixo da extensão de toda a Antônio Carlos até o Aeroporto da Pampulha, e comparar com o programa de governo de Lacerda, verá que ela foi transformada em Savassi-Lagoinha. Me responda, como poderão Pimentel, Lacerda e Aécio justificar a duplicação da Av. Antônio Carlos se passar por debaixo dela um metrô? A duplicação seria absolutamente redundante com a criação dessa linha de metrô, sem contar que afetaria o lucro das empresas de ônibus que servem as regiões da Pampulha e Venda Nova. Clique aqui.
O exemplo de Ivan sobre transporte coletivo é muito bom. Brasília é dominada pela família Constantino e seus acólitos. E isso acontece no Brasil todo. Temos de repensar o sistema de concessões de serviços públicos. Até quando o nosso desconforto em ônibus, a péssima prestação de serviços que é feita para a população financiará os lucros dessa gente?
Sobre o Ivan dizer que a velocidade das transformações em BH é excruciantemente baixa, devo dizer que o belorizontino é muito conservador, provinciano e imbuído de um estúpido complexo de vira-latas. No mandato de Eduardo Azeredo na prefeitura, ele fez uma propaganda maciça com um título estúpido que foi concedido a Belo Horizonte à época, o de melhor capital do Brasil. Só que ele se em momento algum mostrou que esse título foi conquistado na comparação com São Paulo e Rio de Janeiro, só as três capitais. E a população acredita nessa propaganda até os dias de hoje, achando que vive numa cidade ótima e que não precisa de soluções avançadas. Poucos dias atrás, conversei com um taxista enquanto eu fazia uma viagem e usei os mesmos argumentos que estou expondo aqui sobre o metrô, inclusive a solução dos estacionamentos integrados. É claro que ele achou a idéia muito boa, mas, segundo ele, isso só é bom para país de primeiro mundo, aqui não conseguiremos fazer.
Essa mentalidade, é claro, vem sendo forjada pelas elites, locais e nacionais, há muito tempo. As nossas elites são contra o investimento no atendimento das necessidades de nosso povo. Não é só uma questão ideológica delas na defesa da livre iniciativa nas concessões públicas. É uma questão também de não se investir em programas sociais ou infra-estrutura para que sobre dinheiro para elas, para suas aplicações em títulos do governo. Nossas elites não admitem dividir o dinheiro do governo com o povo. Isso se expressa de várias formas. Um amigo meu que se mudou para Belo Horizonte no começo da década de 60 me diz que se lembra muito bem de uma charge publicada pelo Estado de Minas. Segundo ele, na época o então prefeito Carone defendia a construção do metrô de Belo Horizonte. O Estado de Minas respondeu com uma charge na qual o prefeito era retratado com uma garrafa de cachaça na mão, completamente ébrio dizendo “Metrô” e a legenda da charge dizia: conversa de bêbado.
Por fim, sugiro que consultem o programa de governo de Lacerda nas eleições do ano passado para ver que o tal planejamento estratégico é só uma repaginação daquele programa, com a inclusão de alguns bônus, como a Copa de 2014 e algumas obviedades e banalidades a mais:
http://www.marciolacerdabh.com.br/arquivos/planodegoverno.doc
Enviado por: luisnassif - Categoria(s): Cidades Tags relacionadas: Belo Horizonte, região metropolitana, transporte
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Engarrafamentos em estradas com 10 pistas nos EUA
Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009
Engarrafamentos em estradas com 10 pistas nos EUA
Eu li no Blog do Nassif este belo depoimento sobre as auto-estradas. É espantoso! É um recado para quem mora no Brasil e quer copiar algumas das piores soluções estrangeiras. "O exemplo de Londres é muito bom. Estive lá ano passado a trabalho, pelo CNPq, e foi uma experiência muito interessante. São cerca de 270 estações de metrô e cerca de 400 Km de linhas de metrô. Isso sem contar os trens, transporte fluvial, bondes e ônibus. Mas a cidade não anda, há um excesso de automóveis"."Mas não é só esse exemplo. Imagine uma autobahn na Alemanha, a ligação de subúrbios de classe média com Stuttgart. São seis pistas, todas completamente congestionadas nos horários de pico. Seis pistas congestionadas? Calma, pode piorar. Na Califórnia, na ligação de subúrbios com Los Angeles há estradas com dez, isso mesmo, 10 pistas de rolamento que ficam congestionadas no horário de pico. E posso dizer isso porque dirigi tanto na autobahn alemã quanto na high way californiana. Vi congestionamentos imensos com meus próprios olhos. E esses congestionamentos não acontecem por acidentes, mas por puro excesso de automóveis"."O problema do transporte e do trânsito exige solução sistêmica, integrada. Em qualquer grande cidade do mundo o trânsito chegou à exaustão pelo excesso de automóveis. E o transporte público precisa ser visto como prioridade. Há uma distância enorme entre transporte público como concebido no Brasil e o verdadeiro transporte de massa. O problema é muito complexo, mas há algumas dicas para sua solução. Primeiro tem que ser multimodal: metrô, bonde, trem, ônibus e monotrilho compõem um sistema de transporte, cada veículo operando onde é mais eficiente".
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/31/o-transporte-metropolitano-e-bh/#more-32698
O Blog do Chicão continua com sua campanha: Mais pontes e avenidas, mais congestionamento. Mais metrô e ciclovias, menos poluição.
Postado por chicão dois passos às 05:54
Marcadores: automovel, EUA, transporte
Engarrafamentos em estradas com 10 pistas nos EUA
Eu li no Blog do Nassif este belo depoimento sobre as auto-estradas. É espantoso! É um recado para quem mora no Brasil e quer copiar algumas das piores soluções estrangeiras. "O exemplo de Londres é muito bom. Estive lá ano passado a trabalho, pelo CNPq, e foi uma experiência muito interessante. São cerca de 270 estações de metrô e cerca de 400 Km de linhas de metrô. Isso sem contar os trens, transporte fluvial, bondes e ônibus. Mas a cidade não anda, há um excesso de automóveis"."Mas não é só esse exemplo. Imagine uma autobahn na Alemanha, a ligação de subúrbios de classe média com Stuttgart. São seis pistas, todas completamente congestionadas nos horários de pico. Seis pistas congestionadas? Calma, pode piorar. Na Califórnia, na ligação de subúrbios com Los Angeles há estradas com dez, isso mesmo, 10 pistas de rolamento que ficam congestionadas no horário de pico. E posso dizer isso porque dirigi tanto na autobahn alemã quanto na high way californiana. Vi congestionamentos imensos com meus próprios olhos. E esses congestionamentos não acontecem por acidentes, mas por puro excesso de automóveis"."O problema do transporte e do trânsito exige solução sistêmica, integrada. Em qualquer grande cidade do mundo o trânsito chegou à exaustão pelo excesso de automóveis. E o transporte público precisa ser visto como prioridade. Há uma distância enorme entre transporte público como concebido no Brasil e o verdadeiro transporte de massa. O problema é muito complexo, mas há algumas dicas para sua solução. Primeiro tem que ser multimodal: metrô, bonde, trem, ônibus e monotrilho compõem um sistema de transporte, cada veículo operando onde é mais eficiente".
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/31/o-transporte-metropolitano-e-bh/#more-32698
O Blog do Chicão continua com sua campanha: Mais pontes e avenidas, mais congestionamento. Mais metrô e ciclovias, menos poluição.
Postado por chicão dois passos às 05:54
Marcadores: automovel, EUA, transporte
Assinar:
Postagens (Atom)