“Quem escolhe investir em novas pistas de rodagem incentiva não só o uso do carro, mas uma ocupação da cidade baseada no círculo vicioso de congestionamento, poluição e stress”. A afirmação foi feita pelo especialista em cidades sustentáveis Jeffrey Kenworthy durante seu simpósio na 15ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, dia 25, em São Paulo. O australiano Kenworthy é professor-convidado da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, e há décadas vem alertando para os riscos do aumento descontrolado das frotas de carros em circução nas cidades, como ocorre no Brasil.Em um de seus livros, “Sustainability and Cities: Overcoming Automobile Dependence” (Sustentabilidade e Cidades: Superando a Dependência do Automóvel, de 1999), Kenworthy compara dados sobre o trânsito e a qualidade de vida em 60 cidades do mundo. O resultado dessa comparação confirma uma ideia que parece óbvia: uma cidade se torna pior para seus moradores quanto mais carros houver nas ruas.Segundo Kenworthy, as cidades com mais quilômetros de trilhos (sejam eles de metô, trem urbano ou veículos leves) oferecem não apenas transporte mais rápido, seguro e confortável. Elas são também as que menos desperdiçam recursos – o que vai de combustíveis a investimentos diretos do setor público, passando por horas trabalhadas e atração de novos negócios.As cidades que pouco ou nada investem em trilhos, por outro lado, costumam ser aquelas em que as pessoas vivem pior e onde os governos arcam com mais gastos diretos. Além da despesa constante na manutenção das vias (do recapeamento à sinalização) há custos maiores com a saúde pública e o sistema judiciário: acidentes, atropelamentos e até brigas de trânsito que poderiam ser evitados deixam tanto os hospitais quanto os tribunais lotados. Além disso, as taxas de emissões de poluentes são sempre maiores onde há mais carros levando pessoas para o trabalho.Em São Paulo, há 24 mortes no trânsito para cada grupo de 100.000 habitantes. A taxa supera a de homicídios no Brasil, uma das mais altas do mundo. Jeffrey Kenworthy entende que São Paulo está entre as cidades com os mais graves problemas de mobilidade. Mas não entende por que a prefeitura e o governo do Estado insistem em construir mais vias para a circulação de carros, como a obra que dará seis novas pistas à caótica Marginal do Tietê.“As cidades têm uma dinâmica influenciada pelo próprio meio de transporte. Quanto mais avenidas, mais carros. E maior a distância entre as pessoas”. Ele afirma que as soluções radicais são possíveis. E dá alguns exemplos: “Em Nuremberg, quando a administração pública restringiu o uso do carro, 71% do trânsito desapareceu. Em Perth, 55% dos atuais usuários de trens urbanos são pessoas que andavam de carro – e simplesmente os abandonaram”, afirma. Segundo ele, ao deixar seus carros as pessoas circulam mais a pé, o que é bom para a economia da cidade pois fortalece o comércio local, baseado em pequenos estabelecimentos.Sem carro, as pessoas tendem a reduzir seus deslocamentos, preferindo concentrar trabalho e lazer perto de onde moram. “Em Portland, Oregon, nos EUA, o uso misto foi expulsando os carros das ruas. As pessoas pediam mais espaço para andar a pé e de bicicleta. A solução foi deixar apenas uma linha de bonde no meio das ruas, ampliando as calçadas e criando ciclovias”. Não parece tão difícil seguir exemplos assim.A foto acima é de uma calçada de Portland. E a figura abaixo mostra como mudaram as ruas da cidade.(Celso Masson)Texto do Blog Planeta.
Postado por chicão dois passos às 07:55
Marcadores: bicicletas, bike, ciclovia, ecologia, transporte, urbanismo
domingo, 6 de setembro de 2009
15º ECCOM Conferência Europeia sobre Gestão de Mobilidade
COESÃO SOCIAL
Uma mobilidade mais humana.
O gerenciamento da mobilidade e a construção de cidades mais humanas foi o tema central do 15º ECCOM - Conferência Européia sobre Gestão de Mobilidade, realizada na Espanha, neste mês. O evento trouxe uma contribuição importante para a reflexão sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de uma mobilidade mais sustentável e com coesão socialLincoln Paiva29/05/2009A era dos grandes projetos de infraestrutura, para permitir maior circulação de automóveis, já passou e o mundo desenvolvido está trabalhando no gerenciamento da mobilidade centrado no indivíduo. Não adianta desenvolver projetos milionários de mobilidade para redução de veículos individuais e aumentar a demanda de ônibus e metrô, pois essa medida aumenta os custos da cidade, a queima de combustíveis fósseis, entre outros problemas.Consultores ingleses de mobilidade avaliaram que sairia mais barato para a cidade de Londres pagar para que as pessoas fiquem em suas casas. O gerenciamento da mobilidade e a construção de cidades mais humanas foi o tema central do 15º ECCOM - Conferência Européia sobre Gestão de Mobilidade - que aconteceu na cidade de San Sebastian, na Espanha, entre os dias 12 e 16 de maio. O evento trouxe uma contribuição importante para a reflexão sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de uma mobilidade mais sustentável e com coesão social.A cidade de San Sebastian foi a patrocinadora do 15º Eccom e logo no credenciamento todos os participantes receberam um cartão com acesso a todos os meios de transportes da cidade, incluindo bicicletas, ônibus, trem, taxi e estacionamentos. A abertura do evento foi realizada pelo governador da cidade, Odon Elorza, que colocou as dificuldades de levar a cabo um projeto de mobilidade numa cidade que sofre com atentados terroristas do ETA.As cidades européias estão trabalhando no conceito de diminuir os deslocamentos por veículos individuais, convertendo espaços públicos em espaços mais humanos. Cidades mais sustentáveis onde se potencializam a mobilidade em transporte público de qualidade e onde as caminhadas adquirem o protagonismo. As cidades estão redesenhando os seus espaços em favor do bem-estar das pessoas e não dos veículos. A nova ordem é frear a deterioração do meio ambiente, adotar iniciativas para dissuadir e reduzir o uso do automóvel e potencializar a mobilidade a pé, o transporte público e os deslocamentos por bicicleta.O “Projeto Caminhe +”, de San Sebastian, é um plano intermodal que liga todos os meios de transportes e estacionamentos públicos, fazendo com que as pessoas tenham muitas alternativas para seus deslocamentos individuais podendo utilizar seu veículo até os bolsões de estacionamento, caminhar parte do trajeto e pedalar outro.Além dos elementos clássicos de uma política de mobilidade baseada na infraestrutura e gestão, o plano de mobilidade de San Sebastian estabeleceu também uma série de programas centrados na configuração social, na demanda de deslocamentos, na cultura e nos comportamentos relativos a mobilidade. Para cuidar deste projeto, a cidade criou um Centro Municipal de Informações e Gestão de Mobilidade que facilita o impulso de uma mudança comportamental com um enfoque cultural e pedagógico.Está mais do que na hora da cidade de São Paulo provocar um encontro envolvendo orgãos públicos, privados e ONGs, discutir soluções e maneiras de redesenhar a cidade de São Paulo de forma que as pessoas sejam o centro da mobilidade. A conferência de San Sebastian reuniu 438 delegados dos cinco continentes a maioria deles secretários de transportes, Consultores de Mobilidade Sustentável e especialistas em gerenciamento da mobilidade, sendo que o Projeto MelhorAR de Mobilidade Sustentável foi a única delegação sul-americana presente na 15ª ECOMM.Durante o Ecomm, foi possível constatar que cidades pequenas, com dois mil habitantes, na Suécia, por exemplo, estão comprometidas em reduzir o número de pessoas que circulam por automóveis ao passo que megacidades, como São Paulo, estão adormecidas e presas nos engarrafamentos diários. Obviamente que os números, recursos financeiros e cultura são outros, mas estamos falando de um encontro que já tem mais de 15 edições anuais.(*) Lincoln Paiva tem 40 anos, é formado em Comunicação Social e sócio da Believe Sustainability.
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/sustentabilidade/conteudo_474040.shtml
Uma mobilidade mais humana.
O gerenciamento da mobilidade e a construção de cidades mais humanas foi o tema central do 15º ECCOM - Conferência Européia sobre Gestão de Mobilidade, realizada na Espanha, neste mês. O evento trouxe uma contribuição importante para a reflexão sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de uma mobilidade mais sustentável e com coesão socialLincoln Paiva29/05/2009A era dos grandes projetos de infraestrutura, para permitir maior circulação de automóveis, já passou e o mundo desenvolvido está trabalhando no gerenciamento da mobilidade centrado no indivíduo. Não adianta desenvolver projetos milionários de mobilidade para redução de veículos individuais e aumentar a demanda de ônibus e metrô, pois essa medida aumenta os custos da cidade, a queima de combustíveis fósseis, entre outros problemas.Consultores ingleses de mobilidade avaliaram que sairia mais barato para a cidade de Londres pagar para que as pessoas fiquem em suas casas. O gerenciamento da mobilidade e a construção de cidades mais humanas foi o tema central do 15º ECCOM - Conferência Européia sobre Gestão de Mobilidade - que aconteceu na cidade de San Sebastian, na Espanha, entre os dias 12 e 16 de maio. O evento trouxe uma contribuição importante para a reflexão sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de uma mobilidade mais sustentável e com coesão social.A cidade de San Sebastian foi a patrocinadora do 15º Eccom e logo no credenciamento todos os participantes receberam um cartão com acesso a todos os meios de transportes da cidade, incluindo bicicletas, ônibus, trem, taxi e estacionamentos. A abertura do evento foi realizada pelo governador da cidade, Odon Elorza, que colocou as dificuldades de levar a cabo um projeto de mobilidade numa cidade que sofre com atentados terroristas do ETA.As cidades européias estão trabalhando no conceito de diminuir os deslocamentos por veículos individuais, convertendo espaços públicos em espaços mais humanos. Cidades mais sustentáveis onde se potencializam a mobilidade em transporte público de qualidade e onde as caminhadas adquirem o protagonismo. As cidades estão redesenhando os seus espaços em favor do bem-estar das pessoas e não dos veículos. A nova ordem é frear a deterioração do meio ambiente, adotar iniciativas para dissuadir e reduzir o uso do automóvel e potencializar a mobilidade a pé, o transporte público e os deslocamentos por bicicleta.O “Projeto Caminhe +”, de San Sebastian, é um plano intermodal que liga todos os meios de transportes e estacionamentos públicos, fazendo com que as pessoas tenham muitas alternativas para seus deslocamentos individuais podendo utilizar seu veículo até os bolsões de estacionamento, caminhar parte do trajeto e pedalar outro.Além dos elementos clássicos de uma política de mobilidade baseada na infraestrutura e gestão, o plano de mobilidade de San Sebastian estabeleceu também uma série de programas centrados na configuração social, na demanda de deslocamentos, na cultura e nos comportamentos relativos a mobilidade. Para cuidar deste projeto, a cidade criou um Centro Municipal de Informações e Gestão de Mobilidade que facilita o impulso de uma mudança comportamental com um enfoque cultural e pedagógico.Está mais do que na hora da cidade de São Paulo provocar um encontro envolvendo orgãos públicos, privados e ONGs, discutir soluções e maneiras de redesenhar a cidade de São Paulo de forma que as pessoas sejam o centro da mobilidade. A conferência de San Sebastian reuniu 438 delegados dos cinco continentes a maioria deles secretários de transportes, Consultores de Mobilidade Sustentável e especialistas em gerenciamento da mobilidade, sendo que o Projeto MelhorAR de Mobilidade Sustentável foi a única delegação sul-americana presente na 15ª ECOMM.Durante o Ecomm, foi possível constatar que cidades pequenas, com dois mil habitantes, na Suécia, por exemplo, estão comprometidas em reduzir o número de pessoas que circulam por automóveis ao passo que megacidades, como São Paulo, estão adormecidas e presas nos engarrafamentos diários. Obviamente que os números, recursos financeiros e cultura são outros, mas estamos falando de um encontro que já tem mais de 15 edições anuais.(*) Lincoln Paiva tem 40 anos, é formado em Comunicação Social e sócio da Believe Sustainability.
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/sustentabilidade/conteudo_474040.shtml
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